23/08/2021 às 16h01min - Atualizada em 23/08/2021 às 16h01min

Mães atípicas de Cacoal se reúnem com autoridades em busca de apoio

O evento contou com a presença do deputado estadual Cirone Deiró, PODE, o vereador Zivan Almeida, PSC, a secretária municipal de Assistência Social Michelle Pavani, dentre outros representantes.

Rogério Aderbal
Camila Oliveira
Na noite da sexta-feira, 20, foi realizado na escola Alecrim Dourado, em Cacoal, o 1º encontro presencial do movimento ‘mães coragem indesistiveis’. A ação tem por objetivo reunir e apoiar mães de crianças, adolescentes e jovens com o Transtorno do Espectro Autista, TEA, e outras deficiências. Com relatos emocionados e corajosos, as mães puderam expor aos convidados suas lutas e angústias em busca dos direitos assegurados aos seus filhos.

O evento contou com a presença do deputado estadual Cirone Deiró, PODE, o vereador Zivan Almeida, PSC, a secretária municipal de Assistência Social Michelle Pavani, o coordenador regional de educação de Cacoal, professor Bertino Neto, o presidente do Centro de Reabilitação Neurológica e Infantil de Cacoal, Cernic, Adriano Fonseca Queiroz, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil/OAB Cacoal, Associação Comercial e Industrial de Cacoal, ACIC, Secretaria Municipal de Educação, Semed, educadores e outros profissionais que atuam na área.

Atentas, as autoridades e convidados ouviram os desabafos de mães que pedem socorro urgente, pois já não sabem mais a quem recorrer. Com poucos atendimentos oferecidos pelo poder público, essas mulheres são humilhadas e obrigadas a seguir, muitas vezes sozinhas, a caminhada árdua para educar e cuidar de seus filhos. Mesmo com todo esse sacrifício, a maior parte não consegue oferecer aos seus filhos as terapias e atendimentos necessários para o desenvolvimento das habilidades das crianças autistas, principalmente nos primeiros anos de vida. O movimento visa também o atendimento das mães, levando em consideração que toda família sofre quando o filho não é contemplado por atendimentos públicos. Mesmo tendo direito às terapias, poucas conseguem usufruir do serviço pelo SUS. A maior parte das conseguem é por meio da rede privada, através de planos de saúde.

“A gente precisa que os governantes nos ajude, nos apóie, tendo em vista, que a maior parte das famílias de autistas começam fazer uma terapia e não conseguem dar continuidade. Eu, hoje moro de aluguel, porque tive no começo, por desespero, que me desfazer da minha casa para custear as despesas. Então, é muito muito angustiante você ir numa escola e ser informada que não é adaptada para esse tipo de criança. Na outra, você é convidada a manter a matrícula e ficar com seu filho em casa. São coisas revoltantes que a gente escuta, a gente é maltratado também nos hospitais…”, parte do desabafo da mãe de uma adolescente autista.

Em sua fala, o presidente do Cernic, Adriano Fonseca, disse que a instituição, como já faz mesmo com dificuldades, está de portas abertas para atender parte da demanda do grupo de mães. Também prometeu uma reunião com representantes do movimento com o objetivo de conhecer e alinhar as ações.

A secretária municipal de Assistência Social, Michelle Pavani, revelou que o município está se mobilizando para oferecer alguns serviços destinado ao público autista, dentre eles, está a implantação da Casa do Autista, que deverá ser um centro multifuncional, o Centro Especializado Em Reabilitação ,CER II, que é uma Clínica Médica e Centro de Especialidades Médicas. Pavani falou também da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, Ciptea, que garante uma série de benefícios e prioridades aos seus usuários.

Bertino Neto, que representou a Secretaria Estadual de Educação, disse que reconhece a luta e se solidariza com  cada mãe. Relatou ainda que o Governo do Estado está se organizando para a contratação de mediadores nas escolas da rede estadual, tendo em vista, que este é direito que vem sendo negado aos estudantes autistas, pois esses profissionais são fundamentais para a permanência e desenvolvimento das crianças com o Transtorno do Espectro Autista.

Ao ouvir as reivindicações, o deputado Cirone Deiró, contou que como representante da Assembleia Legislativa está sempre atento aos anseios do movimento, tanto que é dele a autoria do projeto de lei que institui ‘ a Semana Estadual da Mãe Atípica’, que é realizada anualmente na 3ª semana de maio. “Esta semana tem por objetivo incentivar a promoção de políticas públicas de proteção às mães atípicas, além de estimular a capacitação de servidores públicos para o acolhimento, diagnósticos e tratamentos de doenças emocionais que podem surgir em razão de maternidade atípica, dentre outras ações”, expressou.

Cirone também é o autor do projeto de lei que determinou que o prazo para a renovação no Estado do Laudo Médico Pericial que atesta o Autismo é de 5 anos.

De acordo com Ana Rúbia, uma das idealizadoras do movimento ‘mães coragem indesistiveis’ no Município, a intenção é criar novos espaços de discussão sobre o tema, sempre em busca de apoio às mães atípicas. ” Esse movimento reúne mães e profissionais em várias partes do Estado. Em breve novos encontros serão realizados aqui em Cacoal com a presença de autoridades e representantes de outras entidades, tendo em vista que a ausência de políticas públicas em defesa aos atendimentos especializados gera um transtorno estrutural para as famílias que precisam de forma muito solitária encontrar meios de tornar as pessoas autônomas, sem dependência da família no futuro”, apontou.

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