05/10/2021 às 09h05min - Atualizada em 05/10/2021 às 09h05min

Mediocridade

Jeferson Faria
 Esse não é um texto bonito, nem tem a pretensão de promover alguma reflexão profunda, até mesmo porque vamos falar de mediocridade e a mediocridade é, acima de tudo, rasa e simples.

Vivemos tempos em que o comum virou extraordinário, o básico se tornou diferencial e a idiotice é vista como virtude. O grande Ariano Suassuna já dizia que, não há nada pior que o gosto médio, e ele tinha toda razão. Vemos nossa cultura, nossa arte, nossa língua, ser cada dia mais reduzida à modelos de uso pobre e caricato, implodida pelo mal costume rasteiro.

O mais interessante em tudo isso, é que vivemos justamente numa época em que o conhecimento e a informação estão escorrendo pelas nuvens digitais, até mesmo em excesso, mas pouco aproveitadas de forma a fazer-nos crescer intelectualmente. Isso é temerário.

Há de se perceber, a falta de boas referências que a sociedade em geral tem, de música, livros, líderes, etc. Exatamente por não se ter como comparar – porque se não se tem ponto de referência, não há como medir nada – qualquer bobagem é empurrada goela abaixo das pessoas e, mais grave que isso, é o fato dessas mesmas pessoas acreditarem que aquela bobagem é uma coisa boa, se não, a melhor que há.

A arte, em sua essência, foi tão reduzida que podemos afirmar que todos somos artistas, o que na verdade é uma falácia absurda. A construção musical então, que tristeza que causa, porque é tão rasteira que é menos que medíocre, embora seja o que as pessoas gostem. Mas gostam justamente por não ter uma referência para comparação. A cultura brasileira, tão grandiosa, tão plural, vem sendo massacrada pela imposição de comportamentos totalmente abaixo do que temos de melhor. Nossos valores, cultura, música, nossa língua, vêm sendo destruídos por uma vontade política de uma minoria totalmente imbecil – e aqui peço licença, porquanto não há palavra melhor para expressar esse pensamento – que é aclamada por vários professores, jornalistas, influenciadores digitais entre outros comunicadores, mas que estupidifica nosso querido povo.

Precisamos resgatar o essencial, saber conservar o que conquistamos com árduo labores, entender que o efêmero tem fim em si mesmo, que a moda é fútil, que a vida precisa ser vivida, não aproveitada. Nossas raízes estão fixadas em valores que atravessam séculos e não podemos permitir que sejam destroçadas por meia dúzia de idiotas em posse de megafones. Idiotas que nem se dão conta de como são comuns e nada especiais, em resumo, medíocres. 
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JEFFERSON FARIA

JEFFERSON FARIA

Um realista esperançoso e acadêmico de direito

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